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A estatística

Esta página explica a conta por trás dos pesos automáticos, sem exigir conhecimento prévio de estatística. A ideia central é responder, a cada ciclo, uma pergunta: qual é a chance de cada variante ser, de verdade, a melhor?

1. O problema: a taxa que você vê é só uma amostra​

Imagine duas variantes:

VarianteVisitantesConversõesTaxa observada
Controle1.000505,0%
B1.000707,0%

A B parece melhor. Mas essa taxa é calculada sobre uma amostra de visitantes. Com outros 1.000 visitantes, os números seriam um pouco diferentes. Quanto menos dados, maior a incerteza; quanto mais dados, menor.

Por isso a GoAB não compara só as duas taxas. Ela mede quanta confiança temos em cada uma.

2. A incerteza vira uma curva: a distribuição Beta​

Para cada variante, a GoAB monta uma curva que descreve quais taxas de conversão reais são plausíveis, dado o que foi observado. Essa curva é uma distribuição Beta:

Beta(1 + conversões, 1 + visitantes que não converteram)

O "1 +" parte de um palpite neutro: antes de ver qualquer dado, todas as taxas de conversão são igualmente plausíveis.

Propriedades que importam:

  • O centro da curva fica perto da taxa observada.
  • A curva estreita conforme chegam dados. Mais visitantes significam menos incerteza.
  • Duas curvas que se sobrepõem muito indicam que ainda não dá para dizer qual variante é melhor.

No exemplo, as curvas são Beta(51, 951) para o controle e Beta(71, 931) para a B. Elas se sobrepõem pouco.

A mesma base dos resultados

Essas são as mesmas curvas usadas na tela de resultados do teste. Os pesos automáticos reaproveitam a conta, mas usam só a métrica primária.

3. Probabilidade de ser a melhor (Monte Carlo)​

Com as curvas prontas, a GoAB faz uma simulação:

  1. Sorteia uma taxa de conversão para cada variante, seguindo a curva dela.
  2. Anota qual variante teve a maior taxa nesse sorteio.
  3. Repete 10.000 vezes.

A fração de sorteios que cada variante venceu é a probabilidade de ser a melhor.

Exemplos de resultado (aproximados, pois dependem do sorteio):

CenárioProbabilidade de ser a melhor
Controle 50/1.000 e B 70/1.000Controle 3%, B 97%
Controle 50/1.000 e B 55/1.000Controle 31%, B 69%
Controle 150/3.000 e B 210/3.000 (mesma taxa de 5% e 7%, com mais dados)Controle ≈ 0%, B ≈ 100%
Controle 50/1.000, B 70/1.000 e C 52/1.000Controle 3%, B 93%, C 4%

Repare em dois pontos:

  • Mesma taxa, mais dados, mais certeza. O terceiro cenário tem as mesmas taxas do primeiro, mas com o triplo de visitantes.
  • Diferença pequena não é certeza. No segundo cenário a B tem taxa maior, mas só 69% de chance de ser a melhor.

Quando menor é melhor​

Em algumas métricas, quanto menor, melhor (taxa de rejeição, tempo até concluir uma compra, custo). Para isso existe a opção Maior é melhor na métrica. Com ela desligada, a simulação considera vencedora a variante com o menor valor sorteado.

Essa direção vale apenas para os pesos automáticos por enquanto. Os resultados exibidos na tela do teste não mudam.

4. Das probabilidades aos pesos​

Agora o ciclo precisa converter probabilidades em pesos de tráfego, em dois regimes.

Regime proporcional (sem vencedora confirmada)​

Cada variante recebe um piso de 5%. O restante, 100% menos os pisos, é dividido na proporção da probabilidade de cada uma:

peso_alvo = 5% + (probabilidade da variante / soma das probabilidades) × (100% − nº de variantes × 5%)

Enquanto não há vencedora confirmada, nenhuma variante passa de 60%, o peso do primeiro degrau. O que passaria disso é repartido entre as demais, na proporção da probabilidade delas.

Com Controle 3% e B 97%, em duas variantes:

Controle = 5% + 0,03 × 90% = 7,7%
B = 5% + 0,97 × 90% = 92,3% → limitado a 60%
Controle → recebe o excesso: 40%

O piso garante que nenhuma variante saia do jogo por causa de um começo ruim: ela continua recebendo dados e pode se recuperar.

Regime de degraus (vencedora confirmada)​

Quando a candidata fica acima de 95% de probabilidade em 3 ciclos seguidos, ela sobe um degrau. Os degraus são fixos e o peso dela passa a ser o do degrau:

DegrauPeso da vencedora
160%
280%
3100%

O que sobra é dividido entre as demais, na proporção da probabilidade delas. No degrau de 100%, as outras variantes recebem 0%.

Se a probabilidade da candidata cair abaixo de 80%, ela desce um degrau. Isso protege contra uma vitória que foi, no fim, sorte.

Os limiares de 95% e 80% são diferentes de propósito: subir exige muita confiança, e descer só exige que a confiança se perca de forma clara. Entre os dois, nada muda.

5. Mudança suave​

O peso-alvo nunca é aplicado de uma vez. Dois freios agem sobre ele:

  • Passo máximo. Nenhuma variante muda mais que 15 pontos percentuais por ciclo. Se o alvo estiver mais longe, o ciclo anda parte do caminho.
  • Arredondamento. Os pesos viram números inteiros que somam exatamente 100, pelo método do maior resto.

6. Exemplo completo​

Controle e B partem de 50%/50%, e a B tem 97% de probabilidade de ser a melhor em todos os ciclos:

CicloCandidataCiclos confirmadosDegrauControleB
1B1nenhum40%60%
2B2nenhum40%60%
3B3, sobe60%40%60%
4B160%40%60%
5B260%40%60%
6B3, sobe80%25%75%
7 a 8B1 e 280%20%80%
9B3, sobe100%5%95%
10B1100%0%100%

Cada linha é uma decisão do ciclo: o alvo vem do regime, e o passo máximo de 15 pontos limita o quanto se anda.

7. Cuidados ao interpretar​

  • É um método adaptativo, não um teste de hipótese. Ele existe para reduzir o custo de mostrar uma variante pior, e não para declarar um vencedor com um nível de significância definido. Para a decisão final, use a tela de resultados.
  • Só a métrica primária decide. Uma variante pode ganhar na primária e perder em outra métrica. Os pesos automáticos não enxergam isso.
  • A amostra mínima vale. Antes de atingir o mínimo, a GoAB não mexe nos pesos. Com poucos dados, a probabilidade oscila muito.
  • A qualidade da métrica importa. Se a conversão da métrica primária estiver mal configurada, os pesos seguem o erro.